Foto: Divulgação
Uma mobilização coletiva articulada por artistas e colaboradores da dança resultou na homenagem à professora e coreógrafa Marly Tavares, referência do jazz no Brasil. A iniciativa não partiu de uma ação institucional do MoviRio, mas surgiu de forma orgânica, a partir do entendimento de que um edital em vigor dialogava diretamente com a dimensão da trajetória construída por Marly ao longo de décadas.
Os amigos e parceiros de longa data Eduardo Torres e Kiko Guanabara reuniram portfólio, registros históricos, documentos e informações fundamentais sobre a carreira da artista. O material foi então estruturado dentro das exigências do edital por Carlos, que organizou e enquadrou o projeto. O processo envolveu diversas pessoas em um trabalho colaborativo de levantamento de acervo, construção narrativa e organização de memória.
A conquista também carrega uma dimensão humana significativa. Atualmente com baixa visão, Marly Tavares segue ativa, ministrando aulas e mantendo presença constante na formação de novas gerações. O prêmio representa não apenas reconhecimento simbólico, mas também um suporte concreto para uma artista que dedicou a vida inteira à dança.
Reconhecida como uma das grandes referências do jazz no país, Marly formou nomes importantes da cena brasileira e contribuiu de maneira decisiva para a consolidação dessa linguagem no Brasil. Sua atuação atravessa gerações e ajudou a estruturar um campo profissional que hoje se mantém vivo e em constante renovação.
O reconhecimento ganha ainda mais relevância no contexto de um meio que frequentemente privilegia o novo e o emergente, enquanto pouco se fala sobre permanência, legado e continuidade. A homenagem reafirma a importância de valorizar artistas que seguem ensinando, criando e praticando sua arte ao longo de décadas.
Durante o processo de entrevistas para o vídeo de divulgação, um aspecto chamou atenção dos envolvidos: a própria incredulidade da artista diante do reconhecimento formal. Embora consciente de sua trajetória, o prêmio se materializa como confirmação pública de um legado construído com consistência e dedicação.
Mais do que uma conquista individual, o gesto se configura como ação de memória e justiça histórica.
O MoviRio, embora não tenha sido o proponente da inscrição, mantém um olhar atento ao legado da dança. Segundo a organização, a programação deste ano deve incluir uma ação especial envolvendo Marly Tavares, cujos detalhes ainda não foram divulgados oficialmente.
🎥 Vídeo da homenagem:
https://www.youtube.com/watch?v=ltjg0axjHPk


