Foto de Albert Vidal
A história e a resistência de povos do Sul da África ganham forma em movimento no espetáculo “BRACE”, criação do coreógrafo e bailarino moçambicano Edivaldo Ernesto, que faz sua estreia no Brasil durante a 34ª edição do Festival de Curitiba.
A obra integra a programação internacional da Mostra Lucia Camargo e será apresentada em duas sessões no SESC da Esquina, nos dias 5 de abril, às 19h, e 6 de abril, às 20h30.
Criado em 2022, o espetáculo é inspirado nas histórias de três povos que habitaram o Sul da África entre os séculos XV e XIX — Mwene Mutapa, Zulos e Changana — sociedades que ocuparam territórios correspondentes aos atuais Zimbabwe, Moçambique e África do Sul e que desenvolveram complexos sistemas culturais, políticos e espirituais, marcados por episódios de resistência contra a colonização.
A partir dessa memória histórica, Edivaldo Ernesto constrói uma obra que atravessa ancestralidade, identidade e resistência, transformando o corpo em território de memória.
“No processo de criação houve o desejo de questionar o olhar externo que frequentemente coloca as pessoas africanas em um lugar de permanente carência. O que me interessa é afirmar que essas sociedades existiram de forma soberana, estruturada e potente”, afirma o coreógrafo.
No palco, o personagem central carrega essa herança: consciente de sua força, mas também humano e vulnerável — condição que reforça ainda mais sua potência.
África e Brasil em diálogo
Ao apresentar BRACE pela primeira vez no Brasil, Ernesto destaca a proximidade cultural entre os dois países.
Segundo o artista, a herança africana presente na cultura brasileira cria um campo de identificação com o público.
“Vejo na cultura brasileira ecos da herança africana, uma lembrança viva da diáspora e da resistência cultural que conecta nossos povos através do tempo e do movimento. O Brasil, com sua energia e diversidade de ritmos, me lembra algumas das expressões do meu país, e isso me inspira criativamente.”
Trajetória internacional
Nascido em Maputo, capital de Moçambique, e atualmente radicado na Alemanha, Edivaldo Ernesto é coreógrafo, intérprete e educador.
Sua trajetória artística começou nas danças tradicionais africanas, e posteriormente ele se especializou nas técnicas Flying Low e Passing Through, criadas pelo coreógrafo venezuelano David Zambrano, com quem trabalha desde 2010 como intérprete e assistente.
Ernesto também desenvolveu projetos pedagógicos como os workshops Depth Movement e Next Level, criando uma metodologia própria de improvisação e composição de movimento, ensinada há mais de uma década em diferentes países e universidades.
Em “BRACE”, corpo, som e espaço formam uma estrutura coreográfica integrada.
“Entendo corpo, som e espaço como uma grande orquestra, onde meu instrumento principal é o corpo e os sons que ele produz, que em composição com a música tornam-se matéria sonora e dramatúrgica”, explica.
Ficha Técnica
Direção e performance: Edivaldo Ernesto
Desenho de luz: Jörg Bittner
Produção (Alemanha): Melissa Figueiredo
Produção executiva: Joana Pegorari
Produtor de elenco: Pedro de Freitas
Técnico de luz: Nicholas Marchi
Técnico de som: André Telles
Produção artística (Brasil): Alex Bartelli
Agenciamento e produção brasileira: Azayah
Serviço
BRACE – Mostra Lucia Camargo
📅 Datas
5 de abril – 19h
6 de abril – 20h30
📍 Local
SESC da Esquina
Rua Visconde do Rio Branco, 969 – Mercês
Curitiba – PR
🎭 Categoria
Dança
⏱ Duração
55 minutos
🔖 Classificação
Livre
34º Festival de Curitiba
📅 30 de março a 12 de abril de 2026
🎟 Ingressos
https://www.festivaldecuritiba.com.br
Bilheteria física:
Shopping Mueller – Piso L3
Valores: de R$0 a R$85 (mais taxas administrativas)
📱 Redes sociais
@festivaldecuritiba


