Foto de Flávia Canavarro
O espetáculo “Angelin, Professor de Humor”, que estreia no dia 24 de abril de 2026 no Teatro Feluma, em Belo Horizonte, é uma homenagem à vida e obra de Ângelo Machado. Mais do que uma narrativa biográfica, a montagem propõe uma investigação sobre presença, transformação e construção corporal em cena, aproximando-se do campo das artes do corpo — recorte que orienta a curadoria do ClickOnDance.
Escrito e dirigido por Jair Raso e protagonizado por Carlos Nunes, ao lado de Carolina Cândido e Diego Krisp, o trabalho utiliza recursos como Inteligência Artificial e live cinema, mas mantém o ator e sua fisicalidade como centro da experiência cênica.
O corpo como narrativa
A dramaturgia parte de uma situação simbólica: Angelin precisa encenar sua própria vida para conquistar a entrada no paraíso.
Essa estrutura desloca o espetáculo para um território onde o corpo do intérprete torna-se arquivo, memória e linguagem, traduzindo trajetórias, afetos e transformações ao longo da cena.
Ao se desdobrar entre diferentes personagens — inclusive entre si mesmo e o próprio Ângelo —, o ator constrói uma partitura cênica que exige precisão de presença, ritmo e variação de estados.
Atuação como prática do movimento
Embora não se trate de um espetáculo de dança, a obra se aproxima das artes do corpo ao evidenciar:
- a fisicalidade da atuação
- o uso do gesto como construção narrativa
- a relação entre corpo, tempo e memória
- a transformação do intérprete em múltiplas camadas
Nesse sentido, o trabalho dialoga com uma cena contemporânea em que as fronteiras entre teatro e dança tornam-se mais porosas, especialmente quando o foco recai sobre o corpo como linguagem central.
Tecnologia como expansão, não substituição
A encenação incorpora imagens criadas por Inteligência Artificial e projeções em LED, além do uso de live cinema.
Ainda assim, o espetáculo não desloca o protagonismo do corpo:
“A tecnologia é apenas a embalagem. A base continua sendo o ator e o texto”, afirma o diretor Jair Raso.
Os recursos visuais funcionam como extensão do imaginário do personagem — incluindo elementos simbólicos como a glândula pineal e a construção do paraíso —, ampliando a percepção do público sem substituir a presença física em cena.
Humor, memória e presença
O humor, elemento central na trajetória de Ângelo Machado, surge como motor dramatúrgico e também como estratégia de construção corporal.
A partir dele, o espetáculo articula estados, ritmos e dinâmicas que atravessam a cena, revelando um corpo que transita entre leveza, reflexão e intensidade.
“A vida sem humor não tem a menor graça”, dizia Ângelo.
Essa abordagem evidencia o humor não apenas como texto, mas como qualidade de presença e ação no corpo do intérprete.
Por que está no ClickOnDance
A presença de “Angelin, Professor de Humor” no ClickOnDance se justifica por seu diálogo com as artes do corpo e da cena contemporânea, especialmente na forma como:
- investiga a atuação como prática física
- trabalha o corpo como suporte de memória e narrativa
- articula presença, gesto e transformação
- aproxima linguagens entre teatro e dança
Não se trata de teatro tradicional centrado apenas no texto, mas de uma obra que evidencia o corpo como eixo estruturante da experiência cênica.
SERVIÇO 🎟️
“Angelin, Professor de Humor”
📅 24 de abril a 10 de maio de 2026
🕗 Sexta e sábado às 20h | Domingo às 17h
🧏 Sessões com Libras às sextas
📍 Teatro Feluma
🎫 Ingressos a partir de R$25
🔗 https://www.sympla.com.br


