Foto: de Tati Santos
O Grupo Corpo Molde estreia o espetáculo 3̲ª, nova criação do coletivo dirigida por Renan Marangoni, com apresentações gratuitas entre os dias 23 e 26 de julho de 2026, no Teatro João Caetano, em São Paulo. A obra encerra a trilogia 3̲ª – A História no Tempo Presente, iniciada com Sapiens (2022) e aprofundada em Djovenski (2024), propondo uma investigação coreográfica sobre os impactos dos conflitos armados, dos deslocamentos humanos e da perda de direitos sobre o corpo contemporâneo.
Contemplado pela 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, o espetáculo parte da compreensão de que a história permanece inscrita nos corpos e que as guerras não se manifestam apenas nos campos de batalha, mas também nas desigualdades sociais, na intolerância e na ruptura das relações humanas.
O corpo como território de memória
Em cena, dez bailarinos compartilham o espaço com dez grades metálicas, concebidas pelo cenógrafo Rager Luan, que deixam de ser apenas elementos cenográficos para assumir um papel dramatúrgico fundamental.
Ao longo de sete cenas, essas estruturas se reorganizam continuamente, transformando-se em fronteiras, abrigos, prisões, ruínas e territórios em permanente mutação. A cada nova configuração, a cenografia acompanha um percurso marcado por tensão, deslocamento, silêncio, vulnerabilidade e sobrevivência.
A coreografia investiga o corpo como um arquivo vivo da história, capaz de preservar memórias individuais e coletivas, revelando estados de guerra, pertencimento, resistência e permanência.
Literatura inspira a construção dramatúrgica
O ponto de partida da criação está nas reflexões presentes nos livros A Terra Dá, A Terra Quer, de Antônio Bispo dos Santos, e Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak.
A partir dessas obras, 3̲ª amplia sua pesquisa sobre direitos coletivos, formas de coexistência e a urgência de preservar diferentes modos de vida diante de um mundo marcado por crises humanitárias e pelo enfraquecimento dos pactos sociais.
Segundo o diretor artístico e coreógrafo Renan Marangoni, o espetáculo nasce da necessidade de refletir sobre as diversas formas de guerra presentes na contemporaneidade.
“Vivemos um tempo em que as guerras se encontram em um parâmetro simultâneo; elas não acontecem apenas nos campos de batalha, mas também nas profundas disparidades sociais, na perda de direitos e no afastamento da nossa própria condição humana. O espetáculo nasce dessa inquietação e procura refletir sobre esse distanciamento da vida e da coexistência diante da possibilidade de uma guerra contemporânea. Mais do que apontar caminhos, queremos provocar uma pergunta: o que aprendemos com a história e como estamos escrevendo o futuro agora?”, afirma.
Música, figurinos e cenografia ampliam a experiência
A dimensão sensorial da montagem é construída em diálogo com uma trilha sonora desenvolvida pela produtora Com.uns, que combina paisagens sonoras inspiradas em cenários de guerra com composições originais.
Entre as vozes presentes na criação está a cantora moçambicana Lenna Bahule, cuja participação amplia a potência poética da obra e estabelece um diálogo sensível com os corpos em cena.
Os figurinos, assinados por Guilherme Silva (Pimzera), aproximam-se da alfaiataria contemporânea e utilizam tecidos reutilizados para construir uma estética que evoca estados permanentes de conflito, sem recorrer à representação literal da guerra.
Encerramento de uma trilogia sobre questões humanitárias
3̲ª conclui uma pesquisa artística iniciada em Sapiens, espetáculo que questionava a ideia de sabedoria na sociedade contemporânea, e aprofundada em Djovenski, obra indicada ao Prêmio APCA de Dança na categoria Técnica, que refletia sobre os 30 artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos a partir dos deslocamentos humanos e das fronteiras.
Com a nova criação, o Grupo Corpo Molde amplia essa investigação e transforma a dança em espaço de memória, resistência e imaginação, convidando o público a refletir sobre os conflitos do presente e as possibilidades de construir novas formas de coexistência.
Sobre o Grupo Corpo Molde
Fundado em 2013, no bairro do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, o Grupo Corpo Molde desenvolve um trabalho voltado à formação de jovens artistas e à democratização do acesso à dança.
Ao longo de sua trajetória, o coletivo realizou mais de 160 ações culturais, impactando cerca de 10 mil pessoas, principalmente nas periferias da capital paulista. Em 2022, inaugurou a Casa CM, sede localizada na Vila Prudente, dedicada à criação, pesquisa e preservação da memória da dança, com sala de ensaios, biblioteca especializada e acervo audiovisual.
Além de Sapiens, Djovenski e 3̲ª, o grupo também realizou o espetáculo infantil Bambaquerê e diversos projetos de formação, circulação e debates sobre dança e políticas culturais.
SERVIÇO
📍 Espetáculo: 3̲ª – Grupo Corpo Molde
📍 Local: Teatro João Caetano
Rua Borges Lagoa, 650 – Vila Mariana – São Paulo (SP)
📅 Datas: 23 a 26 de julho de 2026
⏰ Horários: Quinta a sábado, às 20h | Domingo, às 19h
🎟️ Entrada: Gratuita
👤 Classificação indicativa: 16 anos
⏱️ Duração: 40 minutos
📱 Instagram: @corpomolde


