Foto: Terrain, da Bangarra Dance Theatre. Fotografia de Daniel Boud.
A Bangarra Dance Theatre recebe neste domingo, 26 de julho, o Leão de Ouro pelo Conjunto da Obra da Biennale Danza 2026. A cerimônia está marcada para o meio-dia, no espaço Ca’ Giustinian, em Veneza, durante o 20º Festival Internacional de Dança Contemporânea da Bienal de Veneza.
Formada por artistas aborígenes e das ilhas do Estreito de Torres, a companhia australiana torna-se a primeira formação coletiva e a primeira representante dos povos das Primeiras Nações a receber o Leão de Ouro na dança. Até então, a distinção havia sido destinada principalmente a bailarinos e coreógrafos, entre eles Pina Bausch, Merce Cunningham, William Forsythe, Sylvie Guillem e Twyla Tharp.
O reconhecimento destaca a contribuição da Bangarra para a cena contemporânea e seu trabalho de preservação e difusão das histórias, dos conhecimentos e das culturas dos povos originários da Austrália.
Dança, memória e identidade
Criada em 1989, a Bangarra desenvolveu uma linguagem cênica que aproxima dança contemporânea, música, poesia, artes visuais e tradições culturais transmitidas ao longo de gerações.
O nome Bangarra vem de uma palavra do povo Wiradjuri que significa “fazer fogo”. A companhia reúne bailarinos profissionais aborígenes e das ilhas do Estreito de Torres e constrói suas obras a partir da relação com a terra, a comunidade e a memória ancestral.
Entre 1991 e 2022, o grupo foi dirigido por Stephen Page, responsável pela criação de um repertório com mais de 27 trabalhos e pela projeção internacional da companhia. Desde 2023, a direção artística está sob responsabilidade da coreógrafa Frances Rings, descendente do povo Mirning, da costa oeste da Austrália Meridional.
Ao comentar a premiação, Frances Rings destacou que o Leão de Ouro também reconhece os artistas, fundadores, bailarinos e colaboradores que construíram a trajetória da Bangarra, incluindo Stephen Page e a instituição de formação indígena NAISDA.
“Terrain” ganha estreia europeia em Veneza
A participação da Bangarra na Biennale Danza inclui ainda a estreia europeia de Terrain, apresentada nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro Malibran.
Coreografada por Frances Rings, a obra foi criada em 2012 e se inspira em Kati Thanda–Lake Eyre, o maior lago salgado da Austrália, localizado no sul do país. Dividido em nove quadros, o espetáculo aborda a ligação entre os povos das Primeiras Nações e o território, compreendido como espaço de memória, conhecimento, cuidado e continuidade cultural.
A montagem tem consultoria cultural do ancião Arabunna Reginald Dodd, música original de David Page, cenografia de Jacob Nash, figurinos de Jennifer Irwin e iluminação de Karen Norris.
Biennale Danza 2026
Com direção artística de Wayne McGregor, a 20ª edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea acontece em Veneza até 1º de agosto. Neste ano, a programação tem como tema Time Does Not Exist e reúne espetáculos, oficinas, filmes, instalações, encontros e novas criações.
Segundo a Bienal de Veneza, a escolha da Bangarra reconhece artistas e coletivos que transformaram a compreensão da dança e ampliaram sua relação com os contextos culturais nos quais ela é criada.
O Leão de Prata de 2026 foi concedido à bailarina, coreógrafa, diretora e ativista sul-africana Mamela Nyamza, cuja obra aproxima memória, história, gênero e questões sociais.


