Foto de Fernanda Luz
Quem leva comida à mesa dos outros nem sempre tem o que colocar no próprio prato. É dessa contradição que parte “Tudo Que a Boca Come”, espetáculo do Núcleo Iêê que chega ao Sesc Pompeia, em São Paulo, para quatro apresentações, de 3 a 6 de setembro de 2026.
Premiada em três categorias do Prêmio APCA 2024 — Melhor Espetáculo de Dança, Interpretação para Rafael Oliveira e Prêmio Técnico pelo figurino —, a montagem volta o olhar para a rotina dos entregadores de delivery e para outros trabalhadores que atravessam a cidade diariamente garantindo o alimento de outras pessoas enquanto convivem com a própria insegurança alimentar.
A temporada acontece de quinta-feira a sábado, às 19h, e domingo, às 17h, no Galpão do Sesc Pompeia.
Entre a capoeira, a ancestralidade e a cidade contemporânea
“Tudo Que a Boca Come” encontra na capoeira uma de suas principais matrizes de movimento.
A obra é guiada pela frase atribuída a Mestre Pastinha — “capoeira é tudo que a boca come” — e parte desses saberes ancestrais para construir uma linguagem que articula dança, palavra, música ao vivo e poesia marginal.
No palco, a capoeira não aparece apenas como referência: torna-se território de investigação do corpo e instrumento para pensar fome, resistência, desigualdade e sobrevivência.
A montagem nasce ainda do encontro simbólico entre dois mensageiros sagrados: Jesus, atravessado pela poesia marginal, e Exu, que encontra na capoeira uma forma de comunicação do corpo.
É dessa encruzilhada entre referências religiosas, culturais e sociais que o Núcleo Iêê constrói uma obra que aproxima ancestralidade e contemporaneidade.
Corpos que alimentam a cidade
A figura do entregador de aplicativo torna concreta uma das questões centrais do espetáculo.
São corpos que percorrem grandes distâncias, atravessam bairros e sustentam parte da dinâmica cotidiana das cidades levando comida de um lugar a outro — mas que nem sempre têm garantido o próprio alimento.
Em cena, essa realidade é deslocada para o território da dança. Movimento, palavra e música transformam a experiência cotidiana desses trabalhadores em imagens que transitam entre denúncia, poesia e resistência.
Com trilha sonora executada ao vivo, os bailarinos e músicos compartilham o espaço cênico, reforçando a relação entre ritmo, gesto e palavra que atravessa a criação.
Um espetáculo reconhecido pela APCA
“Tudo Que a Boca Come” recebeu três reconhecimentos da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2024.
Além de ser escolhido Melhor Espetáculo de Dança, Rafael Oliveira recebeu o prêmio de Interpretação, enquanto o trabalho de figurino foi reconhecido com o Prêmio Técnico.
O reconhecimento destacou uma criação que utiliza a dança para tratar de questões urgentes da realidade brasileira sem abandonar suas referências ancestrais e a pesquisa de linguagem.
Sobre o Núcleo Iêê
Criado em 2015, o Núcleo Iêê nasceu do encontro de ex-integrantes do Projeto Núcleo Luz, ligado ao programa Fábricas de Cultura, em São Paulo.
O coletivo desenvolve uma pesquisa que aproxima dança, música ao vivo, poesia marginal e referências culturais afro-brasileiras, articulando experiências pessoais dos artistas com investigações sobre corpo, sociedade e ancestralidade.
🔗 Núcleo Iêê: Instagram oficial
🔗 Informações e ingressos: Sesc São Paulo — Tudo Que a Boca Come
🔗 Assista ao teaser oficial de “Tudo Que a Boca Come”: YouTube
SERVIÇO
💃 Tudo Que a Boca Come — Núcleo Iêê
📅 3 a 6 de setembro de 2026
🕖 Quinta a sábado: 19h
🕔 Domingo: 17h
📍 Sesc Pompeia — Galpão
Rua Clélia, 93 — Água Branca — São Paulo (SP)
⏱️ Duração: 45 minutos
🔞 Classificação: 10 anos
♿ Acessibilidade física
🎟️ Ingressos:
R$ 18 — Credencial Plena
R$ 30 — meia-entrada
R$ 60 — inteira
🔗 Ingressos e informações oficiais: Sesc SP
FICHA TÉCNICA
Direção: Rafael Oliveira
Bailarinos: Alex Araújo, Fernando Ramos, Lion Lourenço, Juliana Farias, Rafael Oliveira e Talita Bonfim
Músicos: Wesley Bahia, Duda Christina e Tiana Oliveira
Poeta: Kenyt
Cenografia: Christopher Silva
Assistente de cenografia: Edvaldo Oliveira
Produção geral: Victor Almeida
Produção executiva: Jundu Cultural
Técnica de luz: Juliana de Jesus
Técnica de som: Gil Douglas


