Cia Treme Terra celebra 20 anos com “Florestas de Odé” em Manaus nos dias 28 e 29 de agosto

A Cia Treme Terra chega a Manaus com “Florestas de Odé”, espetáculo de dança negra contemporânea que parte das tradições iorubás difundidas no Brasil e das diferentes facetas de Oxóssi para estabelecer um diálogo entre ancestralidade e questões sociais, ambientais e políticas do presente.

As apresentações acontecem nos dias 28 e 29 de agosto de 2026, às 20h. Na sexta-feira, a companhia ocupa um dos principais palcos brasileiros, o Teatro Amazonas. No sábado, apresenta a obra no Teatro ICBEU.

A passagem pela capital amazonense integra a circulação nacional que celebra os 20 anos da Cia Treme Terra e ganha significado especial pela relação direta entre as questões abordadas pela criação e o território amazônico.

Da floresta sagrada à “selva de pedra”

“Florestas de Odé” tem como referência Odé — Oxóssi, orixá associado à caça e às florestas.

A partir de seus arquétipos, histórias e rituais, a companhia constrói uma criação coletiva que desloca essas referências para o presente e investiga as relações entre ancestralidade, natureza, trabalho e sobrevivência.

A floresta aparece simultaneamente como espaço sagrado e território ameaçado.

A obra aborda o desmatamento e a violência contra comunidades que dependem das florestas, estabelecendo também uma relação com as estruturas de exploração e opressão que atravessam a formação da sociedade brasileira desde o período colonial.

É desse encontro que surge outra imagem central do espetáculo: Oxóssi como um caçador urbano.

O “corpo flecha”

A pesquisa corporal de “Florestas de Odé” parte das artes do corpo negro em diáspora e da relação dos intérpretes com suas memórias ancestrais.

A companhia desenvolve o conceito de “corpo flecha”, construindo coreografias que transformam situações cotidianas em alegorias sobre trabalhadores e trabalhadoras que atravessam diariamente a chamada “selva de pedra” em busca de sustento.

São corpos marcados simultaneamente pela vulnerabilidade e pela resistência.

A precisão da flecha de Oxóssi encontra, assim, uma leitura contemporânea: o movimento se transforma em instrumento para falar de sobrevivência, exploração, sonhos e das estratégias necessárias para permanecer vivo.

Dança negra contemporânea em diálogo com a Amazônia

A chegada de “Florestas de Odé” ao Amazonas cria uma relação particularmente potente entre obra e território.

Criado em São Paulo, o espetáculo nasceu de uma reflexão sobre floresta e cidade construída a partir de uma grande metrópole. Em Manaus, essa pesquisa encontra um público que convive diretamente com outras relações entre urbanidade, floresta, comunidades tradicionais e disputas ambientais.

A circulação pela região Norte começou em Belém, onde a obra foi apresentada em 18 de agosto, e passou também por Parauapebas, antes de chegar ao Amazonas.

“Florestas de Odé” foi ainda indicado ao Prêmio APCA 2024, nas categorias ligadas a espetáculo e interpretação.

20 anos da Cia Treme Terra

Criada em São Paulo, a Cia Treme Terra construiu ao longo de duas décadas uma trajetória dedicada à pesquisa e à criação em dança negra contemporânea.

Seu repertório investiga memória, ancestralidade, identidade e as experiências do corpo negro, articulando referências das culturas afro-brasileiras com questões da sociedade contemporânea.

Entre as obras desenvolvidas pela companhia estão “Cultura de Resistência”, “Terreiro Urbano”, “Pele Negra, Máscaras Brancas”, “Anonimato — Orikís aos Mitos Pessoais Desaparecidos”, “Caminhos Abertos” e “Florestas de Odé”.

Ao longo da trajetória, o grupo teve trabalhos reconhecidos por iniciativas como o Prêmio Klauss Vianna, o Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo e o Prêmio Denilto Gomes.

🔗 Cia Treme Terra — site oficial:
https://www.tremeterra.org.br/

🔗 Conheça “Florestas de Odé”:
https://www.tremeterra.org.br/c%C3%B3pia-caminhos-abertos

A circulação inclui formação e cinema

Além das apresentações, a passagem por Manaus amplia o trabalho da companhia para outras frentes.

No dia 26 de agosto, às 15h, o Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro recebe uma oficina de Dança Negra Contemporânea.

No dia seguinte, 27 de agosto, às 19h, o miniauditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) recebe a exibição do documentário “Danças Negras”, que reúne depoimentos de artistas, pesquisadores e intelectuais sobre a presença e a construção das danças negras no Brasil.

A circulação nacional de “Florestas de Odé”, realizada em celebração aos 20 anos da companhia, foi selecionada pela Chamada Instituto Cultural Vale 2025 e é realizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

SERVIÇO

💃 “Florestas de Odé” — Cia Treme Terra

📅 28 de agosto de 2026 — sexta-feira
20h
📍 Teatro Amazonas
Largo de São Sebastião — Centro — Manaus (AM)
🎟️ Entrada gratuita

📅 29 de agosto de 2026 — sábado
20h
📍 Teatro ICBEU
Av. Joaquim Nabuco, 1.286 — Centro — Manaus (AM)
🎟️ Entrada gratuita, mediante retirada de ingresso

🔗 Ingressos para a apresentação de 29/08:
https://www.sympla.com.br/evento/cia-treme-terra-florestas-de-ode/3543892

🎬 “Danças Negras”

📅 27 de agosto
19h
📍 Miniauditório da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)
Av. Djalma Batista, 3.578 — Flores — Manaus

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