Afroapocalíptico estreia no Palácio das Artes com experiência imersiva inspirada no Congado – 17 a 29 de março de 2026

Foto de LucasBois

No dia 17 de março, às 19h, estreia “Afroapocalíptico”, novo trabalho do Grupo dos Dez, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. A obra propõe ao público uma experiência artística imersiva e sensorial, levando o teatro para dentro da Galeria Genesco Murta.

Durante o percurso, o público é dividido em dois grupos e conduzido por um labirinto de instalações sonoras e visuais. Em meio a tambores, texturas, objetos do Reinado, bombardeios sonoros e cheiros de ervas, os visitantes são atravessados pela tradição do Congado mineiro e por reflexões sobre tragédias humanas contemporâneas.

Dirigido por Rodrigo Jerônimo e Ana Paula Bouzas, o espetáculo conta com instalação sonora e direção musical de Bia Nogueira, assistência de direção de Júlia Tizumba e dramaturgia de Marcos Fábio de Farias.

A temporada segue até 29 de março, com apresentações de terça a domingo, às 19h. Após as sessões, as instalações permanecem abertas para visitação.

A obra integra o projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal, e apresentação da Petrobras. A iniciativa prevê mais de 60 apresentações em sete estados brasileiros, reunindo espetáculos inéditos, montagens consagradas e ações formativas que ampliam o diálogo entre arte, memória e território.


Afroapocalíptico: conceito e dramaturgia

O conceito de Afroapocalíptico, criado por Rodrigo Jerônimo, surgiu em 2018 durante uma residência artística em uma galeria de Nova York. A experiência de deslocamento vivida pelo artista — como ator de teatro negro naquele contexto — deu origem a uma série de escritos reunidos posteriormente no livro “Afroapocalíptico”, publicado pela Editora Aquilombô em 2023.

Na dramaturgia do espetáculo, Jerônimo e Marcos Fábio de Faria deslocam a ideia ocidental de apocalipse como destruição final e propõem outra perspectiva: o afroapocalipse como possibilidade de reconstrução, inspirado nas tradições ancestrais e nos saberes do Congado mineiro.

Segundo Jerônimo, o espetáculo reflete sobre a continuidade da vida e sobre os modos de resistência construídos por populações historicamente marginalizadas.

“Afroapocalíptico não é sobre ruína, mas sobre permanência. Não anuncia o fim, mas revela os modos de seguir existindo. A experiência negra nunca foi apenas sobrevivência, mas reinvenção contínua do mundo.”


Experiência imersiva e multilinguagem

A encenação acontece dentro da galeria e se organiza a partir de duas grandes instalações em espiral. Fora delas, aparecem referências às tragédias humanas contemporâneas — como Brumadinho, Mariana e conflitos internacionais — evocadas por meio de sons de sirenes, ruídos humanos e bombardeios.

A instalação sonora assinada por Bia Nogueira reúne:

  • canções
  • instrumentos musicais
  • coroas do Reinado
  • texturas e elementos sensoriais
  • aromas de ervas.

Logo no início do percurso, uma capitã de reinado, interpretada pela atriz Kátia Aracelle, conduz os visitantes — tratados como sobreviventes — por essa travessia simbólica. Ao lado dela está o ator Rodrigo Jerônimo, compondo uma experiência multilinguagem que articula teatro, ritual, música e performance.

A vivência tem duração aproximada de 40 minutos.


Grupo dos Dez

Criado em 2009, o Grupo dos Dez tornou-se uma referência no teatro negro brasileiro, investigando a interseção entre teatro, música e tradições culturais afro-brasileiras.

Ao longo de sua trajetória, o grupo apresentou espetáculos como:

  • Evangelho Bárbaro
  • Madame Satã
  • Dandara para Todas as Mulheres

Além das montagens cênicas, a companhia também realiza iniciativas voltadas à valorização da cultura afro-brasileira, como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras, o Festival Imune e o Laboratório Editorial Aquilombô.

Com essas ações, o coletivo contribui para ampliar a presença e a visibilidade de artistas negros e LGBTQIAPN+ no campo das artes cênicas e da cultura brasileira.


Serviço

Afroapocalíptico
Direção: Ana Paula Bouzas e Rodrigo Jerônimo
Atuação: Kátia Aracelle e Rodrigo Jerônimo

📍 Local: Galeria Genesco Murta – Palácio das Artes (Belo Horizonte)

📅 Temporada: 17 a 29 de março
🕖 Horário: terça a domingo, às 19h

🎟 Entrada gratuita
Não é necessária retirada de ingressos.

Visitação das instalações

As obras da encenação permanecem abertas ao público até 5 de abril.

🕘 Horários de visitação
Terça a sábado: 9h30 às 21h
Domingo: 17h às 21h

📱 Informações: @grupodosdez

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