Foto: Camila Sugai
A Cia de Dança Anderson Couto apresenta, nos dias 4 e 7 de novembro de 2026, em São Paulo, o espetáculo-instalação Entre nós, tudo se faz casa, criação que rompe com a configuração tradicional de palco e plateia e convida o público a percorrer espaços habitados simultaneamente pela dança contemporânea, pelo teatro físico, pela música ao vivo e pela poesia.
Com direção geral e concepção de Anderson Couto, a obra é resultado de três meses de investigação e criação coletiva com 13 intérpretes-criadores do Brasil e do exterior, participantes da Residência Artística CASA 1502.
As apresentações acontecem em dois espaços distintos: no Teatro Galpão do Folias, em 4 de novembro, e na Casa MovA.C Bem-Estar e Arte, em 7 de novembro, ambas às 20h, com entrada gratuita e retirada de ingressos pela plataforma Sympla.
Duas ocupações, diferentes experiências
Em Entre nós, tudo se faz casa, o público não ocupa uma plateia fixa. A proposta é circular por diferentes ambientes e encontrar pequenas “ilhas coreográficas”, nas quais múltiplas ações se desenvolvem simultaneamente.
Embora partam de uma mesma investigação artística, as duas apresentações assumem características próprias, construídas em diálogo com a arquitetura e as possibilidades sonoras de cada espaço.
Na primeira noite, no Galpão do Folias, a montagem reorganiza as ilhas de pesquisa em formato de arena, com um elenco expandido de 19 intérpretes. Sob direção musical de Rovilson Pascoal, a paisagem sonora combina execuções instrumentais e vocais ao vivo com edições e manipulações realizadas em tempo real, explorando a estrutura técnica e a escala do galpão teatral.
Já na Casa MovA.C, sede da companhia e espaço onde a residência foi desenvolvida, o espetáculo recupera sua configuração itinerante original. O público acompanha um cortejo pelos vãos, salas e pátio da casa, estabelecendo uma relação de maior proximidade com os artistas.
Nessa segunda ocupação, a dramaturgia sonora reúne composições gravadas da companhia e intervenções acústicas e vocais ao vivo. Respiração, canto, movimento e contato entre os corpos tornam-se elementos da experiência cênica.
A casa como território de memória e criação
O espetáculo nasce da ideia da casa como primeiro território de pertencimento do indivíduo. Mais do que uma construção formada por paredes, portas, vigas e janelas, a casa é compreendida como um espaço constituído por pessoas, memórias, afetos, presenças e ausências.
Essa concepção orienta tanto a pesquisa coreográfica quanto a relação entre corpo, arquitetura e espectador.
Na Casa MovA.C, a própria estrutura arquitetônica integra a dramaturgia. Iluminação rasante, fumaça cênica, aromas de terra e ervas, tecidos crus e membranas plásticas compõem uma ambientação sensorial que procura alcançar o público por meio de percepções físicas e emocionais.
“A casa é o nosso primeiro território no mundo e o rascunho de quem somos; por isso, ela nunca termina e está sempre a ponto de recomeçar. Em Entre nós, tudo se faz casa, convocamos o público a habitar a cena com a gente e romper a distância tradicional do palco, sentindo de perto o fôlego, o atrito da pele e a força vital de quem dança”, afirma Anderson Couto.
Para o diretor, a criação também estabelece uma reflexão sobre o momento político e social brasileiro, compreendendo a casa como lugar de identidade, resistência, acolhimento e construção coletiva.
“Mais do que um espaço físico, revisitar a casa neste momento político e social do nosso país é um ato de afirmação sobre quem somos, sobre a força do nosso povo e sobre a urgência de construir refúgio e escuta coletiva”, acrescenta.
O processo representa ainda um reencontro da companhia com sua própria trajetória, retomando experiências e procedimentos de criação que atravessaram trabalhos anteriores.
Residência artística reúne criadores do Brasil e do exterior
A montagem é o resultado da Residência Artística CASA 1502, projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP – PNAB Nº 38/2024.
Ao longo de três meses, 13 artistas selecionados por chamamento público participaram de aulas, laboratórios de criação e ensaios conduzidos pela companhia, acompanhando diferentes etapas de uma produção profissional, desde a investigação do movimento e a construção dramatúrgica até a realização das apresentações.
Os intérpretes-criadores têm trajetórias ligadas à Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Portugal e Chile, reunindo diferentes formações e experiências artísticas.
Essa diversidade se manifesta em repertórios que atravessam a dança contemporânea, a acrobacia, as matrizes afro-brasileiras, as danças urbanas, o teatro físico e o audiovisual.
A pluralidade de linguagens integra o processo de composição da obra, que também foi estruturada para possibilitar sua circulação por outros espaços culturais do estado de São Paulo.
Sobre a Cia de Dança Anderson Couto
Fundada em 2013, a Cia de Dança Anderson Couto é um núcleo de pesquisa em movimento e novas poéticas, dedicado à investigação das relações entre corpo, espaço e público.
Coreógrafo e diretor paulista, Anderson Couto estudou dança contemporânea com Francisco Silva, da Cia Urze, e jazz com Roseli Rodrigues. Como bailarino da Raça Cia de Dança, apresentou-se no Brasil e em países como Itália, Argentina e Portugal.
Entre seus trabalhos estão a coreografia da abertura da Virada Cultural de São Paulo de 2009 e projetos de direção de movimento e concepção coreográfica para musicais, produções audiovisuais e grandes eventos.
No repertório da companhia destacam-se Corpo Espaço Corpo, apresentado na XII Semana Maranhense de Dança, em 2018; Corpo a Corpo com a Cidade (2021), projeto audiovisual e intervenção cênica site-specific estreado no Centro Cultural Vila Itororó e apresentado na Oficina Cultural Oswald de Andrade; e TEREZAS (2022/2023), espetáculo de dança-teatro que reúne narrativas de luta e resistência de mulheres negras latino-americanas e caribenhas.
TEREZAS passou por espaços como o Centro Cultural São Paulo e a Semana Paulista de Dança, no MASP, além de participar, como convidado especial, do 42º Festival de Dança de Joinville, em 2025, com apresentação no Ponto de Cultura Casa da Vó Joaquina.
Serviço
Espetáculo: Entre nós, tudo se faz casa
Companhia: Cia de Dança Anderson Couto
Direção geral e concepção: Anderson Couto
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuitos
Apresentação 1 — Teatro Galpão do Folias
Data: 4 de novembro de 2026, quarta-feira
Horário: 20h
Local: Teatro Galpão do Folias — Espaço Reinaldo Maia
Endereço: Rua Ana Cintra, 213, Campos Elíseos/Santa Cecília, São Paulo (SP)
Capacidade: 60 lugares
Acessibilidade: Sim
Ingressos: Retirada gratuita pela Sympla
Apresentação 2 — Casa MovA.C Bem-Estar e Arte
Data: 7 de novembro de 2026, sábado
Horário: 20h
Local: Casa MovA.C Bem-Estar e Arte
Endereço: Rua Aurélia, 1502, Vila Romana/Lapa, São Paulo (SP)
Capacidade: 40 lugares
Acessibilidade: Sim
Ingressos: Retirada gratuita pela Sympla
Instagram: @ciaandersoncouto | @casamovac
Ficha técnica
Direção geral e roteiro: Anderson Couto
Criação e produção: AC Produções Artísticas e Cia de Dança Anderson Couto
Produção executiva: Patricia Rodrigues
Espaço e realização: Casa MovA.C Bem-Estar e Arte e Petit Dance Mais
Intérpretes-criadores residentes: Gabriela Brito, Inês Galrão, Irê Casarinho, Júlia Brandão, Laiane Carmo, Leonardo Carvajal, Mel Baba, Noemi Esteves, Patrícia Rodrigues, Peter Levi, Ricardo Ura, Sofia Clareto e Valffred Souza.
Participações especiais: Edna Aguiar, Solange Ferreira, Rebô, Carlos Haske, Clara Bianca, Diogo Castro, Giulia Stuche, Josemara Macedo e Nicole Matias.
Direção de arte e arquitetura: Kelly Yamashita
Direção musical: Rovilson Pascoal
Músicos, textos e vozes: Luiz Gayotto, Rubi e Edna Aguiar
Percussão ao vivo: Tracy Marcella e Joelma Sousa
Gravação musical: Estúdio Parede e Meia
Vídeo: Camila Sugai
Fotografia: Ana Nicolau
Desenho de luz: Fabrício Fonseca
Produção e operação de luz: ColetivoProscênio
Direção de produção: Renan Rodrigues
Assistência de produção: Júnior Batista e Wallace Guimarães
Contrarregragem: Renato Rodrigues
Comunicação, planejamento e redação: Luís Silva
Design e identidade visual: Lucas Ananias e Rafael Goffinet
Gestão de dados: Marta Barros
Assessoria de imprensa: Flávia Fontes Oliveira — Dialeto Arte e Comunicação
Realização institucional: Projeto contemplado pelo Edital Fomento CultSP – PNAB Nº 38/2024 — Manutenção e Modernização de Espaços Culturais.


