Rafaela Sahyoun estreia Trovão em Terra Molhada em São Paulo de 25 de junho a 3 de julho de 2026

Foto de Caio Oviedo

A coreógrafa e bailarina Rafaela Sahyoun apresenta, entre os dias 25 de junho e 3 de julho de 2026, no Centro da Terra, em São Paulo, o solo Trovão em Terra Molhada. A obra marca o retorno da artista aos palcos como criadora-intérprete após mais de uma década dedicada principalmente à criação coreográfica para múltiplos corpos e companhias.

Construído a partir de uma dramaturgia sinestésica, o espetáculo propõe uma investigação sobre a condição do corpo contemporâneo em um contexto marcado pela aceleração permanente, pelo excesso de estímulos e pela sobrecarga informacional.

“Se vivemos em estado crônico de vigília, entre alertas e a gestão algorítmica da catástrofe, algo se perde nas microfissuras dessa tensão contínua: fragmentos de experiência que não chegam a assentar no corpo”, afirma Rafaela Sahyoun.

Um corpo atravessado pela velocidade

A criação nasce da percepção de que a velocidade se tornou uma condição estrutural da vida contemporânea, influenciando a forma como produzimos, consumimos, nos comunicamos e estabelecemos relações.

Nesse cenário, somos expostos diariamente a um fluxo contínuo de informações, imagens, crises e demandas que frequentemente excede nossa capacidade de assimilação.

O interesse da artista está justamente nos efeitos dessa dinâmica sobre o corpo.

“Recebemos impactos sucessivos sem tempo para escutá-los, elaborá-los ou integrá-los. A experiência acontece, mas nem sempre encontra condições para se sedimentar”, observa.

A obra investiga esse estado de alerta constante que atravessa o cotidiano contemporâneo e questiona como recuperar a capacidade de sentir, processar e reverberar aquilo que nos afeta.

A metáfora do trovão

A imagem do trovão ocupa papel central na concepção dramatúrgica do trabalho.

Para Rafaela, o trovão não representa apenas um fenômeno de impacto, mas um processo de reverberação.

“Ele é a atmosfera respondendo a uma descarga acumulada.”

Já a terra molhada aparece como metáfora da absorção, da fertilidade e da transformação. Na natureza, solos encharcados conduzem eletricidade de maneira mais eficiente e as tempestades, além de provocarem rupturas, também redistribuem energia, renovam ciclos e fertilizam ecossistemas.

A partir dessas imagens, o espetáculo cria uma reflexão sobre como os corpos metabolizam excessos e transformam impactos em potência de vida.

Um tratado sobre ressonância

Entre contenção e transbordamento, Trovão em Terra Molhada propõe uma experiência que busca ativar estados de presença e percepção.

A dramaturgia, criada em parceria com Iaci Lomonaco, convida o público a observar não apenas a dança, mas também aquilo que acontece internamente durante a experiência.

“Vivemos em um contexto de aceleração, excesso de estímulos e fragmentação da atenção que muitas vezes nos afasta das nossas percepções mais sutis. A obra convida o público a observar tensões, ritmos, estados de atenção, memórias, afetos ou sensações que possam emergir durante a experiência”, explica a artista.

A criação também dialoga com o pensamento da filósofa Donna Haraway, especialmente com a ideia de “ficar com o problema”, recusando tanto o otimismo tecnológico simplificador quanto o niilismo paralisante diante das crises contemporâneas.

Retorno à cena como intérprete

Rafaela Sahyoun apresentou seu primeiro solo em São Paulo em 2014. Desde então, concentrou sua atuação principalmente na criação para companhias, coletivos e projetos colaborativos.

Após viver cinco anos fora do Brasil, retornou ao país atuando como performer, intérprete-criadora, educadora e pesquisadora.

Sua trajetória inclui trabalhos para importantes grupos e companhias, com destaque para as obras Fôlego (2022) e BOCA ABISSAL (2025), criadas para o Balé da Cidade de São Paulo, ambas atualmente no repertório da companhia.

As obras já circularam por palcos do Brasil, Alemanha, França e Suíça.

Em 2026, a artista estreia ainda uma remontagem de CRUSH no projeto CROSSOVER, realizado pelo Ballet National de Marseille, sob direção de (LA)HORDE. Em 2027, a obra será apresentada no Théâtre de la Ville, em Paris.

Sobre Rafaela Sahyoun

Nascida em São Paulo em 1986, Rafaela Sahyoun é artista da dança, coreógrafa, bailarina e educadora.

Formou-se pela SEAD – Salzburg Experimental Academy of Dance, na Áustria, e pelo Trinity Laban, no Reino Unido.

Sua atuação transita entre criação coreográfica, pedagogia e performance, desenvolvendo pesquisas ligadas às matérias do corpo, à percepção e às relações entre presença, sensorialidade e experiência contemporânea.

Atualmente reside entre São Paulo e projetos internacionais.

Ficha Técnica

Direção, Coreografia e Performance: Rafaela Sahyoun

Codireção e Colaboração Artística: Iaci Lomonaco

Dramaturgia: Iaci Lomonaco e Rafaela Sahyoun

Trilha Original: Yantó

Desenho de Luz: Aline Santini

Operação de Luz: Caio Maciel

Figurino: Iaci Lomonaco, Rafaela Sahyoun e Will Sun

Fotografia: Caio Oviedo

Produção: Ricardo Henrique

Apoio: Corpo Rastreado

Mentoria: Ana Cristina Echevenguá Teixeira

Assessoria de Imprensa: Angelina Colicchio e Diogo Locci (Pevi 56)

SERVIÇO

📍 Local: Centro da Terra

📍 Endereço: Rua Piracuama, 19 – Perdizes – São Paulo (SP)

📅 Datas: 25 e 26 de junho e 2 e 3 de julho de 2026

Horário: 20h

🎟️ Ingressos: R$ 96 (inteira) e R$ 48 (meia)

🎫 Vendas: Sympla

Duração: 50 minutos

🔞 Classificação indicativa: 14 anos

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