“SEMENTEIRA” estreia de 11 a 13/09 e leva dança e resistência das hortas urbanas aos palcos de São Paulo

Foto: Divulgação

O Núcleo Menos 1 Invisível apresenta “SEMENTEIRA”, espetáculo com concepção e direção artística de Cléia Plácido, que inicia sua circulação entre os dias 11 e 13 de setembro, no Teatro Flávio Império, e segue por outros três espaços culturais de São Paulo até 24 de outubro.

A criação parte das experiências em hortas urbanas e periféricas da zona Leste da cidade para refletir, por meio da dança, sobre crise climática, injustiça ambiental e formas de resistência coletiva.

Depois da estreia, “SEMENTEIRA” passa pela Fábrica de Cultura Parque Belém, em 24 de setembro; pelo Centro de Referência da Dança (CRD), nos dias 16 e 17 de outubro; e encerra a circulação no Complexo Cultural Funarte SP, de 21 a 24 de outubro.

Inspirado no gesto de quem planta e cultiva em mutirão, o espetáculo se aproxima do esperançar de quem move sementes e cultiva a terra em meio à crueza da metrópole. Em cena, humanos e não humanos formam uma floresta que, em meio ao desencanto, reencontra o olhar pelas sementes, pela germinação e pelo corpo que dança e canta suas reimaginações em plena cidade.

A pesquisa artística dialoga com autores como Malcom Ferdinand, de Ecologia Decolonial; Nêgo Bispo, de A Terra Dá, a Terra Quer; e Denetèm Touam Bona, de A Sabedoria dos Cipós. O trabalho também homenageia lideranças femininas como a queniana Wangari Maathai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e fundadora do Green Belt Movement.

Da horta ao palco

A principal matriz de inspiração e materialidade de “SEMENTEIRA” vem das experiências nas Hortas da Jô, em Ermelino Matarazzo, e da intervenção artística realizada no Viveiro Escola das Mulheres do Gaú, ambos na zona Leste de São Paulo, região onde parte do elenco reside.

A prática como pesquisa orientou o processo artístico a partir das vivências nos mutirões organizados pela Rede Permaperifa, com base em práticas agroecológicas e de permacultura.

O processo também buscou desconstruir estereótipos que romantizam o trabalho no campo e deixam de lado questões sociais e políticas presentes nas hortas urbanas e na agricultura familiar.

Mais do que uma vivência idealizada de contato com a terra, o espetáculo valoriza o trabalho de quem lida com a enxada diariamente e acompanha o tempo necessário para que aquilo que foi semeado possa brotar e frutificar, independentemente da chuva, do sol, do calor extremo ou do frio.

Nesse percurso, a crise climática aparece como um chamado para repensar práticas a partir do próprio território. Ao transformar essas experiências em matéria para a dança, “SEMENTEIRA” propõe imaginar futuros possíveis e revitalizar as ruínas do presente a partir de práticas de cuidado, resistência e criação coletiva.

“O SEMENTEIRA nasce do encontro entre a dança e as experiências muito concretas de cuidado com a terra. Ao vivenciar as hortas e os mutirões, percebemos que ali não existe apenas uma relação com a natureza, mas também resistência, trabalho e disputa por território”, afirma Cléia Plácido.

Para a diretora, levar essas experiências à cena também é uma maneira de pensar novos modos de convivência diante da crise climática.

Circulação e exposição virtual

A circulação começa no Teatro Flávio Império, com apresentações nos dias 11, 12 e 13 de setembro.

Em seguida, “SEMENTEIRA” chega à Fábrica de Cultura Parque Belém, em 24 de setembro, e ao Centro de Referência da Dança, nos dias 16 e 17 de outubro.

A programação termina no Complexo Cultural Funarte SP, com apresentações entre 21 e 24 de outubro.

Durante a temporada na Funarte SP também será lançada uma exposição virtual com registros fotográficos do processo criativo, ampliando o acesso à pesquisa e aos caminhos percorridos durante a construção da obra.

O projeto foi contemplado pela 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

Sobre Cléia Plácido

Cléia Plácido é artista da dança, coreógrafa, pesquisadora, professora e preparadora corporal. Doutoranda em Artes pela UNESP, desenvolve o projeto Dança, ativismo ambiental e contra colonialidades e integra o N’Me — Núcleo de Metodologias de Pesquisa em Artes.

É bacharel e licenciada em Dança pela Universidade Anhembi Morumbi e estudou o Sistema Laban/Bartenieff na Faculdade Angel Vianna, no Rio de Janeiro.

Atua como artista da dança e pesquisadora do movimento desde 2003 e é cofundadora do Núcleo Menos 1 Invisível, do qual atualmente assume a direção artística.

Em 2017, recebeu o Prêmio Denilto Gomes de melhor atuação política na dança. Entre seus trabalhos estão Turning Dance (2014), Flutuante (2019), Zona (2019), Poemas Atlânticos (2021) e Refúgio (2023).

Sobre o Núcleo Menos 1 Invisível

Criado em 2013, o Núcleo Menos 1 Invisível investiga procedimentos artísticos que integram corpo e imagem a partir da composição e da improvisação cênica.

Em 2021, criou Poemas Atlânticos, inspirado nas ideias do poeta martinicano Édouard Glissant e contemplado pelo 28º edital de Fomento à Dança. O trabalho também foi selecionado pelo ProAC LAB 45 Histórico de Dança e pelo edital Corpo Negro, do SESC Rio.

O grupo realizou ainda intervenções artísticas no SESC Avenida Paulista dentro do projeto SANKOFA, com uma pesquisa entre dança e os adinkras africanos.

Em 2023, estreou Refúgio, contemplado pelo 32º edital de Fomento à Dança, que circulou por diferentes espaços culturais e integrou programações como Abril para a Dança 2024, Confrontos Coreográficos 2024 e Dança para Todos os Corpos 2025.

SERVIÇO

SEMENTEIRA | Núcleo Menos 1 Invisível

Teatro Flávio Império
📅 11 a 13 de setembro
⏰ Sexta e sábado, às 20h; domingo, às 18h
📍 Rua Professor Alves Pedroso, 600 — Cangaíba — São Paulo/SP

Fábrica de Cultura Parque Belém
📅 24 de setembro
⏰ 15h
📍 Avenida Celso Garcia, 2231 — Belenzinho — São Paulo/SP

Centro de Referência da Dança (CRD)
📅 16 e 17 de outubro
⏰ 19h
📍 Praça Ramos de Azevedo, s/nº — Galeria Formosa, Baixos do Viaduto do Chá — Centro — São Paulo/SP

Complexo Cultural Funarte SP
📅 21 a 24 de outubro
⏰ 19h
📍 Alameda Nothmann, 1058 — Campos Elíseos — São Paulo/SP

Exposição virtual

Lançamento durante a temporada no Complexo Cultural Funarte SP, com registros fotográficos do processo criativo de “SEMENTEIRA”.

FICHA TÉCNICA

Concepção e direção artística: Cléia Plácido
Intérpretes-criadores: Eduardo Reis, Emily Kimura, Júlia Lima, Rafael Markhez, Keithy Alves e Cléia Plácido
Orientação dramatúrgica: Paula Salles
Assistente de coreografia: Clara Gouvêa
Preparação corporal: Mestre Pedro Peu e Maristela Estrela
Preparação vocal: Klécio Miranda e Andreia Nhur
Desenho de luz e cenário: Hernandes Oliveira
Figurino: Karine Lopes
Trilha sonora: Sarine Mariano
Direção de produção: Iolanda Costa
Assistente de produção: Aline Vieira
Produção executiva e consultoria ambiental: Lucas Ciola
Fotografia: Sergio Fernandes
Registro audiovisual: NomeFilmes
Social media: Loren Kali
Designer gráfico: Rafael Markhez
Assessoria de imprensa: Marrese Assessoria
Apoio cultural: Cooperativa Paulista de Dança e Aikido Ipiranga
Agradecimentos: Coletivo Eparreh, Rede Permaperifa, Angoleiro Sim Sinhô ZL e Renata Mattar

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